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De mansinho

Dinheiro aqui e ali para manter a candeia da troika acesa parece que não falta. Há pelo menos três jornais tradicionais deficitários nesse jogo, incluindo um que era neutro e deixou de o ser, ainda outro mais ou menos lucrativo que também lá está e dois jornais online de grande gabarito. Em jornais, isto é mais do que legítimo: cada um pensa como quer e a mais não é obrigado e se há quem tenha dinheiro para gastar assim, que o gaste. Não faz grande serviço social, mas nem toda a gente a isso é obrigada. Mas não há mesmo ninguém que chegue até ao outro lado da barreira do pensamento que tenha meios e disponibilidade para fazer um jornal equilibrado, online ou não? De certeza que há. Não há interesse? É falta de tempo, de entendimento, o que é? Depois não se queixem. Bem sei que as "redes sociais" cobrem em parte essa função. E com sucesso. Programas de televisão pró-troika que são vistos por 10 mil pessoas, se tanto, são depois criticados, muitas vezes com humor do bom, em ambientes que atingem o dobro ou mais de pessoas. Mas um jornal sério faz mesmo falta. Não basta o queixume. É que a candeia da troika mantida acesa, de mansinho, traz sempre resultados. Como quem a mantém sabe e bem. 


Passos, May & Companhia

Comecemos pelos últimos. O que se anda a dizer, fundamentalmente, é isto. Tínhamos avisado, diz a companhia, que não havia alternativa e agora aí está a prova, já que a austeridade não só não se foi embora, como é pior, por ser maior e disfarçada, avançam uns, ou "permanente", avançam outros. Logo, não havia mesmo alternativa, concluem. O debate político está assim, intelectualmente fraco ou outra coisa. Isto em Portugal, nesse país ainda aparentemente inexperiente. Schauble, lá longe, mas seguramente não desatento, anda calado, pois sabe o que se está a passar e prefere reconhecer que o seu momento político acabou, por agora, esperando porventura que regresse. Mas esperando no silêncio, não embrulhado em tal argumentário. Não reconhecer a mudança e o que se está a fazer em Portugal é obra. Mas, vejamos, como seria se a "situação" anterior tivesse continuado, pois no é aí, no fundo, que está a prova dos nove ? Não sabemos? Sabemos, claro, pois nada do que por aqui foi feito foi aqui inventado. Olhe-se com atenção ao que se está a passar na Grã-Bretanha de May, onde a mesma política continua, de tal forma que acabou no impasse da saída da UE. Se se quer saber o que se iria passar cá, atente-se às notícias vindas de lá. Ou ao discurso económico de Trump que só não está a ter eco luso porque o protagonista é demasiadamente impopular. Está lá tudo, menos impostos para ricos para, dizem, aumentar o investimento, diminuição do NHS e fim do Obamacare, que não são, dizem, sustentáveis, privatização para melhorar qualquer coisa e, bem-vindos aos anos 2010s, proteccionismo populista. Passos sabe isto tudo e quer isto tudo, mas sabe também, como soube tão bem em 2011 (mas estranhamente ou não, menos em 2015), que não pode dizer o que quer. O plano parece ser, assim, dar argumentos de trazer por casa sobre a "continuação da austeridade" ou o "não haver mesmo alternativa", fazer com que Passos continue lá, e esperar que o actual acordo de Governo caia. Há um lado bom nisto tudo, a saber, o presente Governo não pode dormir descansado e deve mostrar o que vai acontecer nos próximos anos, no que não tem sido muito claro. Passos está à espera, a companhia está a ajudar e muito e May a manter a luz acesa. É triste seguir um debate económico (e político) tão pobre, mas é necessário. 


O 18º resgate

"Um segundo resgate é hoje pouco provável mas mais provável do que há uns meses. Essa é a opinião da maioria dos analistas e especialistas com que o Negócios conversou nestes dias, etc...". E , mais à frente: "O tema do segundo resgate tem estado na agenda desde que o novo governo tomou posse...". Qual agenda? O que é que isto significa? Não há um facto, nada, zero, só especulação. Legítima, claro. Mas, pergunta-se: porquê agora? Para quê? Não havia necessidade, francamente, e com o todo o respeito pelo profissionalismo deste jornalista em particular. Como virar esta página? Quando entraremos na normalidade jornalística, em que as notícias serão notícias e os temas, temas? Depois não se admirem de ver o impensável, como a dirigente do Bloco de Esquerda a defender o ministro das Finanças. Se pensarem bem, na óptica de quem lança estas conversas, elas até têm um lado contraproducente. Como teve o intervencionismo desmedido da troika e seus aliados domésticos que terá levado, de facto, à inédita união de esquerdas em Portugal. Vistas bem as coisas, isto até tem uma certa graça, até porque vai tudo correr bem (mais ou menos, claro). E, se não houver segundo resgate, se o défice ficar no lugar, se a economia seguir o seu caminho, lento, mas caminho, haverá uma retratação? No entretanto, talvez seja de começar a pensar no que dizer sobre todas as ameaças anunciadas até hoje e que não se confirmaram. Em suma, o que se passa? O que querem?


A burrice

Voltaram as "notícias" sobre a suspensão dos fundos estruturais a que agora se juntou a do "aumento dos impostos", em 2017. Quem faz isto não deve perceber o que faz. É que já ninguém acredita. Mas alimenta o clima da incerteza. Ora, isso é pura burrice, fazer uma coisa que não serve a quem a faz, sendo embora prejudicial. Será que as pessoas inteligentes estão todas ausentes dos sítios onde esta espécie de notícias são inventadas? Parece. Não encontram formas mais inteligentes para dizer que não gostam do Governo? Que desgraça. E com tantas boas ideias por aí que seria preciso acordar. Burrice ou preguiça.


Uma tentativa de explicação

Não é possível que quem manda no jornalismo em Portugal seja defensor de uma só ideia. Não é possível que todos queiram mais austeridade e que esse querer esteja meramente associado a "interesses" económicos. Também não é possível que todos queiram Passos Coelho de volta ou, simplesmente, o fim de um governo de "esquerda". O que se passa? É que, na verdade, quem tem actualmente poder num jornal, numa televisão, regra geral, tem um sentido de argumentação único ou quase. O caso das sanções é paradigmático. E chega-se a cúmulos cada vez mais altos. Comecemos pelo início. A Comissão Europeia está obrigada a velar pelo cumprimento do Tratado Orçamental. É a lei. Um país que não cumpre o tratado deve ser sancionado. Em quanto? Depois se vê. Pode até ser zero. Estou a falar de países fracos, claro. Nenhum jornalista com responsabilidade disse isto. Ainda não ouvi nenhum, pelo menos. Depois, as sanções, objectivamente, são relativas a 2015 e a anos anteriores. Isso até concedem, de tão evidente que é, mas logo a seguir acrescenta-se um "toda a gente sabe" que as sanções são também para pedir um Plano B ao actual Governo. Prova? Nenhuma, que isto não é jornalismo, na verdade. Depois, os mercados, mas como é que os mercados não respondem?, perguntou alguém. Isso não interessa. O que interessa é que o Governo não "arrepia caminho" e daí as sanções. E por aí fora. Mas de onde vem tanta falta de rigor, tanta invenção? Será que serve aos "grandes interesses"? O Brexit, que aparentemente não é do agrado desses tais grandes interesses, na Grã-Bretanha, e que foi em larga medida provocado por uma forma de jornalismo com semelhanças, é talvez prova que isso não é bem assim. Será que serve a Passos Coelho? Claro que serve. Mas acreditamos mesmo que toda esta gente está a trabalhar para um ex-primeiro ministro? Mesmo que isso fosse possível, não chegaria como explicação. Proponho outra, pelo menos complementar. Durante cinco anos ou mais, os jornalistas da "frente" foram bombardeados com uma ideia, uma ideia única em que acabaram por acreditar. Foram cuidadosamente conversados, com entrevistas "exclusivas", com depoimentos, com press releases, com tudo e mais alguma coisa. Agora, não têm outra ideia e estão pregados a essa que lhes foi entregue. Chegaram a um beco sem saída. Claro que o caso é mais geral, pois é comum acreditar-se que Portugal não é a Suíça por causa dos políticos e, em particular, de um tipo de políticos. Mas o beco tem saída, a saída do conhecimento, da informação, da satisfação intelectual, diria. Dá é trabalho. Há seguramente excepções, óptimas excepções, mas que têm um espaço de trabalho nulo ou quase. Também posso estar a ver mal, claro. Na verdade, seria talvez preciso fazer alguma coisa, alguma reflexão, dentro da classe. Tem de haver muitos jornalistas fartos disto tudo.


A pressão

Qualquer pessoa com dois dedos de testa económica sabe que o que o Governo português está a fazer vai dar resultados positivos no défice. Controlar o défice público nunca foi um problema, excepto em situações de grave crise financeira internacional. É simples e claro. A austeridade é estúpida porque é mesmo assim. Chega, comprime a economia, reduz o défice externo e dificulta a correcção do défice público, mas, quando é retirada, descomprime a economia e, por essa via, etc., etc. Daí a pressão. Caso contrário, para quê fazê-la? Se tivessem a certeza de que as coisas irão dar mal resultado, ficariam calados. Essa pressão é clara. Não foi por acaso que Schauble falou depois de o FMI ter estado em Portugal e que o FMI esteve em Portugal na véspera de uma cimeira europeia em que Schauble iria falar. Que esta gente sem escrúpulos faça disto, ainda se percebe, pois eles são só isso. Que essa gente tenha colaboradores internos solícitos, nas televisões e nos jornais, já se percebe menos. Entretanto, deve ser quase desesperante governar assim, sob indevidas pressões, de agentes externos, de colaboradores internos, mas tem de ser. E deve ser muito difícil para as pessoas, que podem não perceber bem o que se está a passar, serem assustadas quotidianamente desta maneira. Que país é este? Ponham a mão na consciência. Muitos dos colaboradores internos porventura não saberão o que estão a fazer. Então, perguntem ao vizinho de baixo, ao homem do café, que eles talvez expliquem. Quando é que isto vai acabar? Quando é que Portugal vai dar a voz que deve dar nesta Europa todos os dias mais um bocado de pantanas. A conversa sobre as "multas", sobre outro "resgate", sobre o "corte dos fundos estruturais" são, simplesmente, conversas de perseguição, de pressão, de gente que tem determinados intuitos políticos, de indevido controle político. Pense-se nisso. E não se colabore.


O que faz o FMI?

O que se segue é apenas mais ou menos, mas tem fundamentos. É assim. O FMI nasceu em 1944, em Bretton Woods, uma conferência feita sob a liderança do Reino Unido e dos Estados Unidos para preparar uma nova ordem internacional, a seguir ao fim da guerra. Era preciso dólares para ajudar à recuperação do comércio internacional. Sem uma moeda aceite por todos, o comércio só podia ser feito entre parceiros que pudessem equilibrar as respectivas trocas. Franceses com ingleses, belgas com holandeses e por aí fora. O dinheiro do FMI era pouco, não chegou e, três anos depois, o governo norte-americano estabeleceu o Plano Marshall que fez o que aquela instituição não conseguiu fazer, indo até mais longe, pois a ajuda Marshall obrigou os países receptores a abrir fronteiras. Entre 1944 e algures na década de 1960, o FMI virtualmente não existiu, serviu para muito pouco. Bretton Woods acabou em 1971 (ou 1973), mas o FMI continuou. Ao que consta, porventura em arquivos ainda mal explorados, algum governo dos Estados Unidos quis mesmo acabar com ele. O mundo já não precisava de dólares ou de outras moedas fortes vindos de uma instituição internacional, pensaram. E não precisava muito. Mas, entretanto, lentamente, ao longo da década de 1960 e seguintes, o FMI reinventou-se - juntamente com a instituição irmã, o Banco Mundial -, passando a concentrar-se nos países em vias de desenvolvimento com problemas de financiamento externo. Com os claros maus resultados das intervenções e a democratização do mundo, foi sendo cada vez menos chamado a intervir. Pelo meio, a seguir à crise do petróleo de 1973, houve umas discretas intervenções na Europa, nomeadamente, em Portugal, na Grã-Bretanha e em Itália. E pouco mais. Finalmente, chegou a crise financeira de 2007 e a Europa de Merkel lembrou-se do FMI, que foi chamado a fazer o que não fazia no mundo avançado há décadas. Foi um novo fôlego da instituição, mas que está agora novamente a desaparecer. É nesta nova fase de desaparecimento que a instituição se agarra ao pouco que ainda tem, que não é muito mais do que alguns jornais e jornalistas portugueses e, quem sabe? romenos ou búlgaros, e uma grande máquina de comunicação que dispara "press releases" por todo o lado. É a vida. Mas, na verdade, é uma instituição arcaica, sobre-dimensionada, sem rumo, e que custa mais do que rende. E com um passado promissor. Devolvamos a instituição a Bretton Woods, portanto.


Jornalismo

Por causas desconhecidas, os jornais em Portugal nunca ou quase nunca se definem como de esquerda ou de direita, como apoiantes deste ou daquele partido, como defensores desta ou daquela solução de Governo. Há um mito de independência. E usam uma fórmula relativamente simples. Têm artigos de opinião de gente de várias frentes, quando pedem comentários, pedem-nos de forma mais ou menos distribuída pelas "tendências", e estabelecem as suas verdadeiras preferências editoriais por via dos títulos de primeira página, da selecção de "fugas" de informação, ou da escolha das notícias. Quem diz os jornais, diz as televisões. Todavia, quem pensa nestas coisas ou sobre elas conversa, sabe (para falar só de Lisboa) que o "Expresso" é próximo do PSD, de um velho PSD, talvez, que o DN actualmente também, que o "Observador" é do PSD de Passos Coelho - e acho que só estes é que contam. O "Correio da Manhã" pertence a outra história mas, se fosse metida nesta, estaria do mesmo lado. Nas televisões, a SIC é o "Expresso" e a TVI, que já foi "socialista" por via da influência do seu antigo dono espanhol, antes de ser comprada por um "fundo", está agora próxima do PSD de Passos ou de quem lhe vier a seguir. Ora, no meio disto tudo, havia um sobrevivente com alguma inclinação à "esquerda", o "Público", que agora também passou para o lado de lá, coisa que já se vinha desenhando mas que se tornou definitiva com o anúncio do nome do novo director. O jornalismo em Portugal está todo do lado da "direita", do lado do PSD, do PSD mais recente. Felizmente, o Governo é de esquerda, caso contrário o país estaria muito esquisito mesmo. Claro que eu posso dizer estas coisas e nenhum político o pode, sobretudo se estiver no poder ou próximo dele, e ainda bem que nenhum importante o disse até agora. Encurtando razões, porque é que isto é importante? Naturalmente, porque a imprensa deve ser mais equilibrada (e mais transparente). Mas também porque mostra a tacanhez dos empresários portugueses. À direita, há sempre dinheiro para investir ou, em alguns casos, para perder, em jornais. À esquerda, não. É uma visão limitada da vida política nacional e perigosa, mesmo para quem põe o dinheiro. Não será fácil ser jornalista neste pequeno mundo. O que fazer? Não faço a mínima. 


Cosmopolitismo

Voltemos a elas. As ideias da troika entraram em Portugal pela porta do cavalo, por causa de uma conjugação muito infeliz de circunstâncias. Falemos apenas das internas. Em primeiro lugar, a opinião pública - incluindo redacções e jornalistas - que menos conhece economia carecia de um porto onde ancorar o desespero de ver uma economia a funcionar mal; em segundo lugar, o candidato a primeiro-ministro e depois primeiro-ministro que nada sabia de economia - nem de governação - precisava de uma ideia para vender; em terceiro lugar, toda uma geração de deserdados dos liceus da revolução precisavam de uma ideia para vingar o bullying ideológico a que foram sujeitos; finalmente, as pessoas que estavam verdadeiramente aflitas com o dinheiro - os donos e gestores dos bancos, com o BES à cabeça, e das empresas altamente endividadas, com a EDP na frente - precisavam de uma ideia que escondesse as suas dificuldades. Esta lista é necessariamente incompleta e somos livres de a discutir, alterar e melhorar. Mas é isto. Ora, esta conjugação dificilmente se repetirá. Todavia, as ideias da troika são antigas e andam por aí há muito tempo, à espera de oportunidade. Um dia, haverá a tentativa de regresso, que terá seguramente outra configuração. Estejamos, portanto, atentos. E recordemos apenas uma coisa dessas ideias, bem exemplar. É assim. Do FMI veio a grande ideia de salvar o euro que era a de substituir a desvalorização da moeda por "desvalorização interna" (menos salários) e "reformas estruturais" que dão mais flexibilidade. Cansados? Sim, também eu, mas é pelo cansaço que as coisas voltam. A ideia fazia sentido, como não se pode desvalorizar, é preciso (erro) que as economias sejam (erro) mais competitivas e flexíveis para se adaptarem a circunstâncias adversas. Um dos resultados dessa brilhante análise foi a lei das rendas. Ora, pensavam os nossos arautos, se a economia tem de ser mais flexível, as pessoas têm de mudar mais facilmente de sítio e por isso tem de haver um mercado" de arrendamento. Isto é vendido com modelos econométricos com duas ou três pequenitas variáveis, algumas simplesmente inventadas, e muitas observações de países por todo o mundo. E as rendas foram "liberalizadas", assim como tudo o que dissesse respeito a alugueres. Resultados? O que está à vista, nenhuns ou coisas piores, como o fecho de muitas lojas que não foram ainda substituídas. Mas havia outra coisa a acontecer. O turismo da Internet levou ao aumento da oferta de alugueres de curta duração, o que tem feito diminuir a oferta de casas para alugar para residência e, naturalmente, encarecido os preços. São estas coisas que os imaginativos modelos da troika e companhia jamais conseguem captar. No mundo civilizado, as coisas são feitas de outra forma. Como em Berlim, por exemplo, onde as rendas são altamente regulamentadas, no passado e no futuro. A terra de Merkel, ironia do destino, não é? E com ganhos para todos, pois a falta de regulação também não é boa para os investidores. Para que as ideias da troika não voltem, ajudará um pouco mais de cosmopolitismo, no governo, na opinião pública, nas redacções, no conhecimento económico. Não foram muitos os países da Europa em que as ideias da troika entraram com esta facilidade.


Sim, claro

Isto não vai passar tão depressa. É mesmo melhor desistir de explicar, dizer que sim e fazer tudo como planeado, mesmo que o pessoal não queira perceber. "Governo vai cortar 1400 milhões ao défice", "Economia não vai crescer em 2017", "IVA vai ter de subir", "A reversão dos cortes vai ter de ser compensada", "Bruxelas diz que o Governo português tem de [qualquer coisa]". Estes são os cabeçalhos dos últimos dias e serão os cabeçalhos dos dias que aí vêm, agora que o Governo tem de apresentar o Plano de Estabilidade e Crescimento. Os autores destes cabeçalhos ainda não quiserem perceber o que está em causa. Em toda a Europa estas coisas são assim mas só em Portugal levam a estes cabeçalhos. Achamos mesmo que o Governo sabe o que se vai passar em 2017? E a Comissão? Ou o FMI? Aquilo é um Plano, um plano, e é um plano político. Não é economia. A economia é aquilo que está à espera de deixar de ser assustada e que, naturalmente, cada vez lê menos notícias. O que faz sentido, porque estes cabeçalhos são políticos, não económicos ou financeiros. Não é fácil perceber porque não se sai desta linha, mesmo nos melhores jornais. Uma razão será alguma incompetência. Ou algum medo. Interesses já não são, seguramente, pois já ninguém liga a Passos que era quem mais poderia ganhar com esta conversa. Será de facto alguma falta de competência para se entenderem estas coisas europeias. A prova final? Leiam o que Rebelo de Sousa anda a dizer. De certa maneira, para nossa melhor informação, foi bom ele ter passado da TVI para a presidência. E leiam-se ainda os "mercados", de hoje por exemplo.