Austeridade inteligente
Mudanças e continuidades

Passos, May & Companhia

Comecemos pelos últimos. O que se anda a dizer, fundamentalmente, é isto. Tínhamos avisado, diz a companhia, que não havia alternativa e agora aí está a prova, já que a austeridade não só não se foi embora, como é pior, por ser maior e disfarçada, avançam uns, ou "permanente", avançam outros. Logo, não havia mesmo alternativa, concluem. O debate político está assim, intelectualmente fraco ou outra coisa. Isto em Portugal, nesse país ainda aparentemente inexperiente. Schauble, lá longe, mas seguramente não desatento, anda calado, pois sabe o que se está a passar e prefere reconhecer que o seu momento político acabou, por agora, esperando porventura que regresse. Mas esperando no silêncio, não embrulhado em tal argumentário. Não reconhecer a mudança e o que se está a fazer em Portugal é obra. Mas, vejamos, como seria se a "situação" anterior tivesse continuado, pois no é aí, no fundo, que está a prova dos nove ? Não sabemos? Sabemos, claro, pois nada do que por aqui foi feito foi aqui inventado. Olhe-se com atenção ao que se está a passar na Grã-Bretanha de May, onde a mesma política continua, de tal forma que acabou no impasse da saída da UE. Se se quer saber o que se iria passar cá, atente-se às notícias vindas de lá. Ou ao discurso económico de Trump que só não está a ter eco luso porque o protagonista é demasiadamente impopular. Está lá tudo, menos impostos para ricos para, dizem, aumentar o investimento, diminuição do NHS e fim do Obamacare, que não são, dizem, sustentáveis, privatização para melhorar qualquer coisa e, bem-vindos aos anos 2010s, proteccionismo populista. Passos sabe isto tudo e quer isto tudo, mas sabe também, como soube tão bem em 2011 (mas estranhamente ou não, menos em 2015), que não pode dizer o que quer. O plano parece ser, assim, dar argumentos de trazer por casa sobre a "continuação da austeridade" ou o "não haver mesmo alternativa", fazer com que Passos continue lá, e esperar que o actual acordo de Governo caia. Há um lado bom nisto tudo, a saber, o presente Governo não pode dormir descansado e deve mostrar o que vai acontecer nos próximos anos, no que não tem sido muito claro. Passos está à espera, a companhia está a ajudar e muito e May a manter a luz acesa. É triste seguir um debate económico (e político) tão pobre, mas é necessário. 

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