O pior da Europa
Políticos profissionais

Grécia

O acordo que levou ao terceiro resgate à Grécia tem coisas estranhas, assim como as reacções que provocou, a diversos níveis. É estranho que o governo alemão tenha insistido tanto na mesma tecla, é estranho que o governo grego se tenha mostrado tão mal preparado (1), e estranho é que as ruas gregas se tenham mantido calmas, até hoje. Com tanta coisa estranha, é preciso esperar para concluir. Por exemplo, é preciso esperar para se fazerem as contas sobre o real aumento de austeridade. Fala-se muito sobre a subida do IVA para 23%, ou sobre os horários de Domingo. Mas não se sabe o verdadeiro grau de austeridade acrescida, em valores absolutos ou em percentagem do PIB. Recordemos, a propósito, que anteriormente as medidas de austeridade ou os cortes eram apresentados em milhares de milhões de euros, em concreto, e não como foram agora, vagamente. Não se sabe quanto é, portanto. Um optimista poderia concluir que a nova austeridade não é tão grande quanto aquilo que o governo alemão quis fazer crer, para fins de política interna. Teremos de ver. Contudo, há duas coisas que se podem concluir desde já. A primeira, é que não foi dada às pessoas na Grécia a esperança de que as coisas vão mudar. Não, a ideia era manter os ânimos baixos, pois parece que essa é a única moeda de troca que aqueles governantes alemães de vistas curtas conhecem. A segunda será talvez mais importante. Trata-se do facto de ter sido enterrado definitivamente o argumento de que as "troikas" mandavam alguma coisa. Este blogue sempre defendeu o contrário e confirma-se. Esta alteração é importante, pois agora sabemos quem são os verdadeiros protagonistas das políticas seguidas na Europa. Como é que tanta gente durante tempo quis estar sob uma ideia obviamente falsa, obviamente fabricada, é a pergunta a fazer, e a maior lição a guardar para o futuro. Esperemos pelo que se poderá concluir sobre o verdadeiro peso do acordo, sobre a sua influência na continuação da depressão da economia grega que será nefasta, seguramente, mas não sabemos ainda em quanto. E restará ainda saber o que vai acontecer aos montantes da dívida externa e qual a margem de manobra financeira que o governo grego poderá ainda ganhar. Na verdade, os resultados ainda servem para todos os gostos e não só para um. Convém por isso não repetir apenas o que se ouve repetir, precisamente para não repetir aquilo que muitos fizeram com a importância erradamente dada às "troikas".
PS: (1) Começam a surgir algumas chaves de interpretação. Aparentemente, a Rússia não deu, à última hora, o necessário financiamento para uma saída do euro

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