EDP e a transparência do Google (já que do MF nada saíu)
Obrigado Sr. Soares dos Santos

Breve história das agências de rating

 Breve e muito interessante, dada em mais um artigo de Marc Flandreau e sua equipa. As agências de rating nasceram devagar, com o dealbar do século XX e a emergência de Nova Iorque como praça financeira internacional. Não foram inventadas lá, mas em Paris e Londres, mas foi lá que ganharam peso. Curiosamente ou não, ainda são as mesmas dos nossos dias, nomeadamente, a Poor's (fundada em 1868, dando ratings a partir de 1916), a Moody's (1900; 1909), a Fitch (1913; 1924) e a Standard Statistics (1922; 1922). Começaram a dar ratings, portanto, nos anos quentes do caminho para a crise da bolsa de Nova Iorque de 1929, que culminaria com a série de bancarrotas da dívida soberana, dois anos depois. Segundo a análise do artigo, as quatro agências davam notação a um mesmo grupo de títulos (cerca de 100), olhavam mais ou menos para os mesmos indicadores, e as classificações não variavam substancialmente. Nada de velho aqui. Os autores perguntam depois se essas agências conseguiram prever aquilo que aconteceu em 1929, em NY, e em 1931, quando houve incumprimentos de entre 30 a 50% dos títulos de tesouro então sujeitos a notação. A resposta é taxativa: não previram. Os autores perguntam também se seria de esperar que tivessem previsto e a resposta é um cauteloso talvez não. É interessante notar - sobretudo para quem gosta de encontrar os fundamentos reais dos problemas financeiros - que os autores concluem que o seu trabalho reforça a ideia de que a crise de 1929 decorreu em grande parte da queda dos preços dos produtos primários (sobretudo fora do mundo industrializado), queda que diminuiu a capacidade servir a dívida externa, por parte dos países exportadores desses produtos. Mas há mais duas coisas importantes nesta história. A primeira é que a seguir a 1931 se deu uma voragem de diminuição das notações, ou seja, um ajustamento ex-post aos acontecimentos. Os autores perguntam, mas não sabem responder, se isso teve efeitos pró-cíclicos, ou seja, se a quebra das notações reforçou ou não as quebras dos títulos soberanos. Pergunta que também fazemos sobre os dias de hoje. A segunda coisa que notam, com espanto, é que os reguladores começaram naqueles anos a usar as notações das quatro agências nas avaliações dos balanços dos bancos. Os autores perguntam porquê, sem todavia dar uma resposta. Essa prática dura, como sabemos, até hoje. Haverá resposta para isso, um dia? Os autores prometem tentar dar uma no futuro, o que será porventura útil, já que as actuais entidades oficiais nem sequer colocam essa questão. Até parece que nos devemos sentir frustrados com tanta ausência de respostas concretas - mas é o contrário. A ausência de respostas mostra que temos de ser cautelosos com a nossa avaliação do comportamento dos mercados financeiros. Por outra palavras, este é um bom artigo para se ler quando se é ministro das Finanças.

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