Há uma característica...
Quanto tempo vai durar "isto"?

A Leste tudo de novo (em Portugal é que nem por isso)

A crise a seguir a 1989 nos países da Europa central nada, ou quase nada, tem que ver com a crise que estamos a atravessar, 20 anos depois, em quase todo o mundo desenvolvido. Em 1989, foi o fim de uma economia dirigida e controlada e a sua adaptação ao mundo real, que é este em que vivemos; em 2009, é uma crise de confiança no sistema financeiro com repercussões no resto da economia (isto para pôr tudo em três palavras). Lembrar a crise de 1989 serve todavia para lembrar os efeitos do proteccionismo. Mas agora, como tem sido lembrado por alguns colegas bloggers (1, 2, 3, 4) e por alguns comentários a um post anterior deste blog, a Europa central está outra vez em dificuldades e há uma ligação entre o que lá se passa e o que se passa no resto do Mundo. Mais importante, uma vez que os países de Leste se endividaram muito desde a década de 1990, a situação deles é sobremaneira grave. De tal forma que o FMI já pediu à UE que esta ajudasse aqueles países e a Comissão, timidamente, vai dizendo que sim, embora ainda sem muito fazer até porque não tem os mecanismos necessários. Veremos o que se passará. Todavia, é preciso notar a enorme transformação que aqueles países estão a ter no contexto internacional. Trata-se do facto de todos eles, pela primeira vez desde talvez Westfalia (1648) e seguramente desde Waterloo (1815), estarem a jogar no tabuleiro internacional enquanto países totalmente independentes e abertos ao exterior. Até ao fim da primeira Guerra Mundial, esses países ou não existiam (Polónia) ou estavam integrados em impérios (Hungria, República Checa, Eslováquia, países bálticos). As excepções são a Roménia e a Bulgária, no último quartel do século XIX. No período de entre as guerras, a maioria da Europa central tornou-se independente mas então os fluxos internacionais comerciais e de capitais estavam severamente interrompidos. E, depois de 1945, passaram para a órbita soviética. O forte endividamento que ocorreu desde a década de 1990 foi feito pela primeira vez por países independentes, nos mercados internacionais. Isso é novo, a Leste. Mas tudo se resolverá que estas crises de pagamentos são o pão nosso de cada dia da economia internacional. Houve várias na periferia da Europa ocidental no século XIX, como em Espanha e em Portugal, que acabaram por ser resolvidas. A dívida pública externa liga os interesses dos credores e dos devedores e isso tem ajudado estes últimos, quando o ambiente institucional não é muito desfavorável como acontece com o leste Europeu que, felizmente, já está integrado na UE. E por isso a UE está tão preocupada. Portugal, por acaso, está numa situação semelhante, repetindo um pouco o que se passou no tempo dos nossos bisavós e nos anos de 1977 a 1983. Embora a situação não seja tão grave, a comparação é importante para se perceber que a verdadeira fonte do forte endividamento foi o que acima se disse sobre o leste, e não a tão propalada e jamais demonstrada falta de "consciência nacional". A economia internacional aberta não é fácil, e às vezes prega partidas. É, como a democracia, um péssimo sistema, mas melhor do que todos os outros que já foram inventados.

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