O que significa o 1º de Dezembro e a Restauração? Será que a nova História de Portugal (ver post abaixo) contribui para responder a essa questão? No meu caso, contribui, não tanto pelo que se aprende de novo, mas pela ligação dos factos que é feita. Não tenho o livro comigo mas é um exercício interessante tentar responder apelando à memória do que li. Os factos que importam são que, em primeiro lugar, a união dinástica de 1580 seria quase inevitável e não era obrigatoriamente vista como algo de negativo. A prová-lo está o facto de, desde a independência de Portugal como reino, terem sido vários os casamentos entre príncipes das coroas ibéricas e não foi mais do que um casamento desses que levou à união, por morte do monarca português.
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É com muita pena mas tem de ser anunciado: não há uma História de Portugal. Se existe, este livro não consegue mostrá-la. Que não haja confusão, esta obra é de uma qualidade sem igual. Ainda não a li toda, mas já dá para ver isso. O facto de este livro não mostrar, quanto a mim, uma história de mil anos podia resultar da circunstância de ser escrito por três autores que não tivessem conseguido fazer as ligações. Todavia, já passei pelos três autores (estou agora a ler sobre os anos 1830-50) e acontece que eles conseguiram fazer ligações muito boas. Aliás, um dos melhores capítulos da segunda parte, que cobre a período moderno, é precisamente o primeiro, que liga eximiamente com a parte anterior. Também a segunda passagem de autores está perfeita, quer no fim da parte II, quer no início da parte III. Isso sem dúvida foi muito bem conseguido. O livro tem alguns
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A separação entre Esquerda e Direita tem tanta utilidade como um capacho. A gente passa por cima todos os dias e não repara, até ao dia em que dá jeito porque se chega a casa com as botas cheias de lama. Saber-se de esquerda ou de direita dá imenso trabalho, é preciso saber citar Hayek ou Bourdieu, conhecer a "escola austríaca" ou os "estruturalistas" e, para quem é intelectualmente honesto, ainda por cima, é preciso ler isso tudo. Eu prefiro só saber do capacho quando tenho as botas com lama e, no entretanto, ir lendo coisas mais informativas, como livros de bons historiadores. Ora está aí um, acabdo de sair, que não se me vai escapar.
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