no "Quadratura do Círculo", estes dias, quase parece este blogue de há dois anos para cá. Embora com corolários diferentes. A maior diferença é que ele pode ajudar a fechar o Governo ou, pelo menos, ajudar a que o terceiro - e escandalosamente errado - pacote de austeridade não seja aplicado. E Marques Mendes, pelos vistos, segue pelos mesmos caminhos. Começo a pensar que já posso fechar a loja.
A taxa das pensões anunciada pelo Governo foi a contrapartida negociada entre os partidos da coligação? O PM anuncia, o Ministro de Estado diz que não, o PM recua e ficam todos contentes? Give us a break. Ou então sou só eu. PS: afinal não foi bem isto...
...desde o PREC. Anunciar um corte de 4,8 mil milhões de euros, no dia em que Espanha, Itália e França anunciaram o abrandamento da austeridade, entre outros imensos avisos, é de loucos. Mesmo. E todos os que colaboram, dentro e fora do Governo, são responsáveis.
Nuno Crato, o ministro da Educação, é para mim um enigma. A razão é que aprecio quase todos os ex-maoistas dos anos 1970 - e, em particular, do Pedro Nunes -, em grande actividade quando eu era apenas um adolescente observador, e que mostram geralmente algum sentido de distância em relação ao poder. Mas Crato quer mesmo mandar, e mandar nas criancinhas indefesas e nos respectivos pais e professores. Como se soubesse mais do que estes. Dito isto, pode acrescentar-se que em muitos países é frequente uns ministros distanciarem-se das políticas dos outros. Subtilmente, mas sem margens para dúvidas. Crato não tem quem lhe faça frente no Governo? Todos concordam? É que o que se passa com a matemática, com a vigilância dos exames, com a adopção de exames aos 9 anos, o que já se passou com outras coisas e, agora, o anúncio (mais um...) de que vão ser pagas as horas não curriculares nas escolas são assuntos demasiadamente importantes para ficarem nas mãos de um ministro assim. PS: Sobre calculadoras ou como a ideologia - ou ânsia de mandar - torna ignorantes mesmo as pessoas mais espertas. E mais aqui.
A troika entrou muda e saiu calada. Não é caso para cantar vitória, mas é caso para cantar. E, pelo que se percebeu, não saiu muito contente. Estamos a ver o bom caminho, mas ainda não estamos lá e, claro, podemos sempre voltar atrás. E também podem continuar a fazer o mesmo, ainda que com pele de cordeiro. Ou pode acontecer que Maduro (que, por enquanto, não usa pin) esteja a trazer o menos mau velho PSD ao Governo. Enfim, sonhar ainda é grátis.
As reuniões com a troika deveriam ser públicas, isto é, deveriam ter actas públicas ou, pelo menos, declarações públicas das partes envolvidas sobre o que lá se passou. Quem o fizer marcará a diferença e recordará as práticas de transparência democrática. Mas, claro, mais altos valores, que não vejo daqui, se poderão levantar, o que não fará mal se nos forem explicados.
de forma simples, a não economistas exigentes, é mais difícil do que parece à primeira vista, pois nem um detalhe pode ser descurado. Mas vale a pena o desafio. Lições da vida.
Tenho estado a matutar, nos minutos vagos, sobre quais são as nossas possibilidades de resposta perante um Governo que nos obriga a seguir o já conhecido caminho da Grécia. Falar e escrever poderá ajudar alguma coisa, mas já não chega. A revolta contra os impostos pode ser outra forma, mas é um assunto delicado e que pode ter efeitos negativos com um governo vingativo. Há todavia alguns pequenos passos imediatos. Um deles é lembrar que se pode dar 0,5% do IRS a instituições de solidariedade. Eis um exemplo de informação sobre isso.