As teorias fazem-se também de exemplos, assim como as grandes explicações. Vejamos como. É bom falar de vez em quando para as companhias de seguros e negociar e, desta vez, poupei 12%, mais coisa menos coisa (entre outras coisas, estão a gostar de débitos directos e fazem descontos por isso, informa-se aqui). Assim se vê como estas companhias têm grandes margens de manobra sobre os preços que praticam, a que se chama markups, cuja eliminação foi uma das coisas que o Ministro das Finanças prometeu fazer e não cumpriu. Tudo bem, os mercados têm sempre problemas e precisamos de estar atentos; tudo mal, pois os menos abonados sabem menos e precisavam de quem melhor os defenda, algo que compete acima de tudo aos governos e aos reguladores. Para além disso, pela primeira vez recebi um documento com a discriminação daquilo que pago, o que vai para o fundo x, para a garantia y ou para o serviço z. Ao fim de 20 anos de privatizações, os nossos queridos reguladores obrigaram finalmente as companhias de seguros a dar informação detalhada sobre aquilo que lhes que pagamos. É obra e mostra como somos obrigados a ser vigilantes com estas coisas.
Façamos agora uma larga ponte. É errado pensar que o sistema financeiro português, em geral, não deva ser escrutinado de perto por todos nós, e pensar que tal é uma exclusividade apenas do BE ou do PCP. Essa vigilância generalizada, por causa do sistema de governação para que os génios da troika empurraram o país, precisa de ser alargada ao que o Governo quer fazer em 2013, pois passam-se coisas que não se deviam passar. Deixar a vigilância do sistema financeiro nacional à esquerda pouco amiga do mesmo sistema – e que aqui se elogia pela atenção que mostra – é um sinal de subdesenvolvimento democrático. Lá no Governo, aliás, não têm contado com outra coisa.



