Admitamos agora aquela que seguramente seria a hipótese escolhida em primeiro lugar por quem tem alguma intuição política: Barroso falou em combinação com o Governo português, para o ajudar no grande disparate económico e social que aí vem. É uma hipótese que, ainda por cima, não precisa de dizer que Bruxelas é a capital da transparência democrática, como obrigava a do post anterior a este. Especulações? Veja-se outra vez o que Barroso acrescentou: "O Governo estará talvez à espera da aprovação pelos seus parceiros das medidas que podem garantir os objectivos da consolidação orçamental. Nós, Comissão, estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para garantir que estas reformas se façam da forma mais harmoniosa possível". Isto é para nos dizer que o bom Governo português só não quer publicitar medidas antes de conversar com os "parceiros". Pois bem. Não terá havido assim tantas ocasiões em que Barroso mostrou tão claramente de que lado está. E podemos acrescentar dois corolários. O primeiro é que a gente se lembrará destas e de outras quando Barroso se candidatar à Presidência; o segundo é que a necessária renovação de líderes europeus ao mais alto nível, que nos leve a mais integração europeia, não obrigará apenas à substituição de Merkel, mas também de Barroso. Esta crise está a puxar o melhor do kremlinogista que há em cada um de nós.



