Afinal, a troca de títulos terá tido contornos algo diferentes. Vamos por partes. Comecei por notar que a imprensa financeira internacional não disse nada sobre a nacionalidade de quem aceitou a conversão dos títulos e que classificou a troca como indicativa da proximidade do regresso aos mercados. Depois, alguém
recordou, em comentário ao post, que a composição do stock de dívida ainda é bastante internacional, e que o domínio dos compradores nacionais é apenas no mercado secundário, nas negociações mais recentes. Ter-me-ia enganado por completo? Bem, talvez sim. Mas talvez não. Afinal, a troca foi feita num momento escolhido pelo Governo, isto é, na véspera do anúncio da subida de impostos, e terá sido em larga medida combinada com os credores como, aliás, é prática corrente cá e em outros sítios. Então, o que concluir? Bem, aquilo que neste momento consigo concluir é que o Governo obteve o sim dos bancos portugueses e que esse sim foi lido como um sinal de confiança pelos restantes credores. Os bancos portugueses não terão pedido maior juro, mas dificilmente o mesmo se poderá esperar dos bancos estrangeiros. Fica tudo na mesma, portanto, embora com esta nuance. No meio disto tudo, deve notar-se a falta de comentário especializado a este nível nos media portugueses. Por que será? Seguramente que há muita gente que sabe ao certo o que se passou, mas ninguém comenta, uma falha importante numa altura em que os mercados financeiros foram alcandorados a prioridade nacional.
PS: ao que parece, o fundo da Segurança Social também ajudou...



