Às vezes, os ministros têm mais poder do que se possa pensar. Bastava um Ministro pedir a sua demissão do Governo para se resolver o principal problema que o País tem em mãos, neste momento. Nuno Crato, apesar da retórica que às vezes usa, sabe, por contacto com os seus colegas economistas e pela sua inteligência, que a proposta de Orçamento é fruto de uma enorme incapacidade política e de uma gritante incompetência económica. Assunção Cristas, que deve ouvir de coração apertado Bagão Félix a falar do que se está a tentar fazer, já há muito compreendeu que tudo isto vai contra os seus mais elementares princípios sociais.
Com este Orçamento, Vítor Gaspar está obvia, clara, frontalmente, a pedir para ser contrariado, para ser substituído. Está a dizer-nos que ele só sabe fazer isto e que com ele será assim. Se quiserem de outro modo, está a dizer-nos, têm de o tirar de lá. É disso que se trata. Pelo menos, só assim consigo explicar o que ele está a propor, na sua absurdidade e enormidade. Toda a gente sabe no que isto vai dar. Toda. É preciso coragem política para parar. Não seria mau se ela viesse de um Ministro. Ficaria na História, e facilitaria a vida às demais instituições democráticas e a nós todos. Mas, claro, a política é mais complexa do que isto. A economia, essa, não: qualquer pessoa já percebeu o desastre que está a ser desenhado. E não é preciso ter medo de uma crise política, pois já várias vezes se viu nesta crise que, na Europa, a legitimidade democrática é mais importante do que tudo o resto.
PS: Um primeiro bom exemplo.



