Ando há uns tempos para contar isto mas isso não interessa. O que interessa, talvez, é que não estava ciente da realidade, como muitos porventura não estarão ainda. No Verão de 2011, cruzei-me em Dublin com um colega historiador económico que tinha acabado de ser escolhido para dirigir o gabinete de estudos de um banco central de um país desenvolvido, fora mas perto da Europa, e eu, lembrando-me do que acabara de acontecer então em Portugal, disse-lhe, na brincadeira: tem cuidado que ainda acabas Ministro das Finanças. Respondeu-me, surpreendido: Ministro das Finanças? Nem pensar. No meu país acho que nunca houve um ministro das finanças que não fosse político, como aliás em quase toda a Europa, não é? E eu disse-lhe como era em Portugal, desde há alguns anos, etc. e tal. E ainda acrescentou: o nosso Ministro das Finanças tem é um conselho permanente de 20 economistas de vários quadrantes políticos e pensamentos teóricos (e acho que disse também que o novo cargo o levava por inerência a esse conselho, mas não me lembro bem), o que o torna mais responsável pelas decisões que toma. Mas era sempre, naturalmente, um político. Detalhes civilizacionais, acrescentaria eu.



