Sabendo o Governo, como sabia, que as contas iriam ser o que hoje o povo sabe, como é que negociou com a troika um défice de apenas 5% para 2012, de 4,5% para 2013 e, espanto dos espantos, de 2,5% para 2014? É irresponsabilidade? Às tantas começo a duvidar se o poder está no Ministro das Finanças, sabendo nós que, quer o FMI, quer Bruxelas, já disseram várias vezes que aceitariam alterações nas metas. Numa interpretação benévola, o Ministro das Finanças deve estar à espera que lhe mudem o caderno de encargos, achando, porventura, que essa mudança é da responsabilidade dos "políticos" do Governo, isto é, do Primeiro-Ministro e de Paulo Portas, e não dele. Sendo ou não isso verdade, o que sabemos é que, em última análise, a responsabilidade é sempre de quem manda, de Passos Coelho. O problema é que se calhar este também está à espera que lhe digam que mude de agulhas. Os representantes da troika já mostraram que não tomarão a iniciativa. E os bancos que, quando lhes toca, falam, estão a nada dizer. Ou seja, estamos sem rumo, uma consequência deste tipo de "intervenção", com governos fragilizados por troikas. A UE que aprenda com isso e que actue rapidamente. Em última análise, terão de ser eles a intervir para inverter esta espiral negativa sem fim.



