As privatizações não têm só um vendedor e um ou vários compradores. Têm os intermediários, isto é, os avaliadores, os advogados, os financiadores, etc.. Ora, essa terceira parte tem interesses avultados. Não sei quanto se paga, regra geral, mas se for, digamos, por baixo, 3%, isso significa 30 milhões de euros numa privatização de mil milhões. Assim, os valores em causa na intermediação das privatizações agendadas – ou sonhadas – são da ordem das centenas de milhões de euros. A venda de 40% da Caixa Geral de Depósitos representaria um valor da ordem dos 100 milhões de euros em intermediação. Embora isso seja pouco para grandes bancos, não o é para indivíduos, para agências de avaliação ou para outras partes envolvidas. Sejamos claros: a intermediação é necessária e pode até ser proveitosa para quem vende. Mas a questão não é essa. A questão é que as privatizações não podem ser feitas porque interessam aos intermediários. Assim, é também por isto que os governos têm de estar protegidos da influência dessas instituições, não podendo ter ligações privilegiadas com bancos, agências de avaliação, escritórios de advogados ou outras instituições financeiras - e em caso algum deveria haver um veículo próprio para canalizar essa influência.
PS: Não é correcto associar um nome ao que digo acima. Quem quiser fazer essa associação, que a faça, mas tem de dar a informação necessária, o que, aliás, tornaria irrelevante o que escrevi.



