Ontem, Carlos Moedas insurgia-se tristemente contra os empresários, por estes não agradecerem a descida da TSU. Não percebia como eles mostravam não querer uma descida de custo e acusava mesmo os grandes, os "incumbentes", de temerem a concorrência dos pequenos, esses sim dinâmicos que irão voar para aproveitar a medida. Quem diz isto mostra que está a milhas do problema e o problema é a quebra na procura (para além da injustiça grosseira). E nem ouve os pequenos empresários que são os que mais temem o que se vai passar. Esta gente no Governo tem ouvido tantas vezes aquelas teorias económicas que dizem que a procura não interessa nada, nunca, que já nem se lembra que ela existe. Mas aquela conversa lembra-nos outra coisa. O Governo - ou parte dele, a parte que mais chateia a outra - não gosta de eleições nem de opinião pública. Funciona em circuito fechado e, se ouve vozes de fora que contrariam creres, facilmente encontra quem lhe dê razão, em Portugal, em Bruxelas,
em Frankfurt, em Berlim. É que gente que pensa assim encontra-se em todo o lado. Só que não chegam a ministros ou secretários de estado e, por isso, até devem dar apoio redobrado, regado por uma certa admiração. Para aqueles que estão envolvidos nesta medida sem sentido, recuar significaria sair da sala, ouvir as pessoas, do pequeno comerciante ao político experiente, e pensar de outro modo, mas isso não se mostram capazes de fazer. E ainda lhes dizem que a medida é como a inflação, pois com inflação os trabalhadores também perdem salário real, algo que se assemelha à comparação de uma ventoinha com uma escova de dentes (eléctrica).



