Devo estar errado porque, em economia, uma cabeça que pensa sozinha quase sempre erra. Mas cheguei a uma certa conclusão lendo um pequeno artigo, sobre a Suécia dos anos 1990, simples, descritivo, e iluminante. Refere o artigo que a Suécia, com problemas semelhantes de bolha - quem diria?, com tanta neve -, conseguiu resolver a crise através de austeridade orçamental, ajudada pela desvalorização cambial e por um forte crescimento da procura externa (e ainda com o alargamento da base tributária e a nacionalização de parte importante dos bancos). E conclui ainda que "as hipóteses de consolidação orçamental são fracas antes do restabelecimento da competitividade da economia". Ora, o que significa isto para os actuais problemas do Sul? Parece simples: o que se deveria tentar era uma desvalorização salarial que replicasse de perto a desvalorização cambial, isto é, menos impostos do trabalho sobre as
exportações, e mais sobre as importações, acompanhada de uma consolidação orçamental ténue e lenta. Para tal seriam necessárias garantias sobre a dívida, mas isso já cai fora deste pensamento simples. Ou seja: 1) menor tributação salarial nos sectores exportadores; 2) maior tributação salarial nas importações; 3) consolidação mais lenta; e, porventura, 4) renegociação dos prazos e juros da dívida. Isto vai contra princípios da integração europeia? Não, não vai se as medidas forem tomadas como temporárias. Note-se que nesta alternativa os rendimentos não são demasiadamente afectados. Haverá falhas neste raciocínio, pois a economia é sempre mais complicada do que possa parecer. Ou talvez não mas, nesse caso, é porque a ideia já foi inventada, como acontece com todas as boas ideais. E, afinal, não é algo parecido com o que João Ferreira do Amaral tem defendido? Se sim, cheguei lá por outra via, o que é bom (para a ideia).



