O Governo pediu à ‘troika' que avalie "suavizar" a meta de 4,5% do défice orçamental prevista para este ano, com o argumento de que Portugal garantiu uma redução do défice externo além da programada. Segundo o Governo, é mais importante para os investidores internacionais que "desapareça" o défice externo - no primeiro semestre atingiu níveis inferiores a 2%, abaixo da meta anual de 2,5% - do que "algum desvio no défice orçamental". "Portugal está a exportar mais e a importar menos e, neste caso, isto tem reflexos nas receitas de IVA porque há menos compras e vendas, logo menos receitas fiscais", afirma fonte governamental, salientando que os efeitos na receita fiscal poderão traduzir-se numa derrapagem até três mil milhões de euros. Mas como a despesa está a reduzir-se a um nível superior ao orçamentado, o desvio poderá ficar, aponta, "em 1,2 mil milhões de euros, o que significaria um défice de 5,3% do PIB". E o jornalista a seguir podia perguntar: mas a preocupação principal do Governo não era a dívida externa? O resto é conversa.



