Fernando Ulrich é uma peça chave: é quase o canário na mina e só não é mais porque tem accionistas. Mas o que diz é melhor onde diz do que se ainda fosse jornalista: tem mais peso (pena que às vezes chame "gastos" aos hospitais, às escolas e às reformas). A última que disse é que o BPI foi obrigado a pagar, desde 2011, 5,3 milhões de euros, em consultores, por causa dos empréstimos que o Estado vai fazer ao banco e por causa das visitas da troika. Isto num ano em que o BPI anuncia cerca de 80 milhões de lucros, numa gestão que parece só merecer elogios (o "parece" é que eu, como quase todos nós, não percebo muito de bancos...). Ainda por cima, os consultores são "estrangeiros" e obrigam a reuniões com o Governo em inglês. Há aqui qualquer coisa de estranho, nos valores, na escolha dos consultores. Se o BPI pagou 5,3 milhões, quanto é que os consultores já custaram ao país? Só em bancos, por dimensão, deve estar nos 20. Se pensarmos que os bancos valem metade do problema, serão 40 milhões. As privatizações levarão quanto? 10? Duvido. Aposto em 30. As PPP... Bem, facilmente se chegará aos 100 milhões de euros em consultores. Exagero? Ok. 50 milhões. E estrangeiros, vindos de onde, de que instituições? Em breve saberemos, pois este é o Governo da clareza. E também 50 milhões são apenas 5 euros por habitante, o que não é muito, para sermos salvos. Ou 50 mil subsídios de desemprego. Mas a verdadeira questão é quem é que está por trás de tudo isto. Ulrich não parecia especialmente zangado com o ministro das Finanças. Deve ser outro alguém. Começo a pensar que o poder não está onde sempre pensei que estava neste último ano.



