Já todos conhecemos as dificuldades em definir não-transaccionáveis, essa categoria mítica do léxico económico lusitano dos últimos, digamos, cinco anos. Até o Banco de Portugal, num estudo (aqui, pp. 45-62) a todos os títulos meritório mas inconclusivo, não conseguiu encontrar outra definição que não o peso das exportações em cada sector, até porque a "literatura empírica sobre o assunto é escassa" (p. 50). Mas aqui foi-se talvez um pouco longe demais. Faltou ler o aviso do estudo acima referido: "Uma aproximação utilizada na literatura é a de considerar os mercados transformadores (indústria transformadora) como transaccionáveis e os mercados não-transformadores como não-transaccionáveis. O problema desta aproximação reside no facto do progresso tecnológico e da liberalização do comércio terem trazido a concorrência internacional a muitas actividades de serviços, movendo a fronteira entre mercados transaccionáveis e não transaccionáveis." (p. 50).
Dito isto, o quadro referido mostra uma faceta interessante, embora preocupante, do que está a acontecer com o emprego em Portugal: ele está a diminuir muito mais nos serviços do que na indústria. Será, para quem quiser, um sinal de retrocesso económico, já que Portugal ainda tem um nível de emprego nos serviços longe da média dos países mais avançados, incluindo a Alemanha. Claro que, quando tudo recuperar, os serviços, normalmente, voltarão.
Todavia, tudo isto é lana-caprina, com o desemprego num nível de 15%, e sem perspectivas de redução significativa a breve ou médio trecho.



