Rebelo de Sousa disse que Luís Marques Mendes devia ir para o governo até porque na TVI24 ele já mostrava estar dentro dos assuntos do dito. Ontem fui ver e pareceu verdade. Melhor, é verdade: Mendes até nos disse o que o ministro das Finanças vai dizer dentro de dias. Sem ministros disponíveis, o governo comunica através de Marques Mendes. Mas o mais importante nem é isso, é outra coisa. Ao princípio, o Governo anunciava solenemente, com pompa, circunstância e orgulho, as medidas de austeridade, de ajustamento, como lhes gosta de chamar. Agora, que já estão a ver que essas medidas não são afinal muito populares, vão continuar o programa, aparentemente, mas às escondidas. Ou, pelo menos, parece que estão tentar esconder. E o que disse de mais importante Marques Mendes? Que os quase 2 mil milhões euros de "desvio colossal" vão ser cobertos por três coisas: uma "pequena derrapagem" orçamental, de cerca de 500 milhões, que a troika irá permitir, diz ele; a "reafectação" de mil milhões de verbas do QREN; e a "cativação" adicional de despesas do Estado (esta é a que vai ser anunciada pelo ministro, diz o analista) de cerca de 300 milhões de euros. Isto são menos 1,3 mil milhões de euros de investimento e consumo público e isso só tem um nome: mais austeridade. E, note-se bem, tornada necessária pelo anterior pacote de austeridade que ia resolver tudo e que levou, afinal, a menos receitas, a mais défice público e a mais dívida. Se essa austeridade adicional envolve o QREN, tem a total conivência da Comissão Europeia. Já não é só cá na terra: os deuses devem estar mesmo loucos. Ou então é tudo ao contrário.



