Quando uma história se repete três vezes, deixa de haver muitos pretextos para que ela não seja clara. E a história é esta, mais coisa menos coisa: no princípio, está o medo legítimo sobre a solvabilidade de um Estado; segue-se alguma reacção assustada por parte dos credores que depois é correspondida pelas três maiores agências de rating, e os juros sobem até atingirem os 7% que, entretanto, já são decretados solenemente, aos quatro cantos do mundo, como insustentáveis; a seguir,
começam as pressões do sector financeiro e dos banqueiros centrais para que seja pedida ajuda externa aos vários fundos europeus e ao FMI. A ajuda é acompanhada por medidas de austeridade, as economias são comprimidas, etc., etc.
Relativamente a Espanha, estamos agora na fase dos 7% e do anúncio da inevitabilidade do pedido de resgate por parte dos bancos e dos seus colegas. Não é teoria da conspiração: é ver a mesma coisa a repetir-se pela quarta vez. E será que se vai mesmo repetir?
Pode ser que não. Como a Espanha é o que é, pode ser que desta vez a história não se repita - e melhore. É que há outras maneiras de tratar deste problema. Basto o BCE querer, isto é, basta os governos quererem. Vamos ver.
De qualquer maneira, que fique bem claro, a inevitabilidade do resgate espanhol é uma opinião, não um facto. Uma opinião popular junto daqueles que já mostraram, pelo menos três vezes, que não sabem e não conseguem resolver o problema. Dos monetaristas saudosos das teses populares dos idos anos 1970. Resta saber quanto tempo se vai levar ainda para passar por cima disso. Enfim, quando as modas servem interesses, nunca é a resposta mais provável e ainda vamos ver mais do mesmo.
PS: Eis senão quando...vislumbres de um pouco de sensatez.



