Uma das coisas que o Estado não deve fazer é incutir insegurança, nas pessoas e na economia. As decisões de investimento ou de consumo precisam de previsibilidade, sobretudo as daqueles que estão todos os dias no mercado, sem protecções rentistas. A história do corte dos subsídios e das pensões é um exemplo claro de como as coisas não devem ser feitas. Na verdade, foi uma decisão precipitada, tomada ainda fora do governo, e por isso foi levada a cabo sem saberem o que iam fazer a seguir. Se soubessem diriam o que estão a dizer agora, até porque já teriam passado todo o custo da má notícia. Ou outra coisa, tanto faz, que as promessas são para as calendas. Agora, os humildes cidadãos afectados podem finalmente fazer os ajustamentos, mas a uma coisa que não foi dita: se nada se fizer quanto à inflação, os cortes são definitivos e vão aumentar - o que se pode ver com uma simples simulação como a do quadro abaixo. Veja-se: a col. a são os cortes de 14% de um salário de 100 até 2014 e a reposição de 25% ano a partir de 2015; a coluna b representa um índice de preços com uma inflação anual média de 3%; e a coluna c são os cortes corrigidos pela inflação de 3%. Como se vê, o salário de 100, em 2011, deveria ser de 123, em 2018, pois a inflação acumulada entre esses anos é de 23%. Todavia, o salário em 2018 só será (sic) de 100, o que representa (representaria) 81% de 123 ou um corte de 19%. Genial, como sempre. Assim se engana o povo. A alternativa clara, menos bruta, mais justa, mais económica, seria a de congelar os salários nos próximos anos, e o descongelamento viria consoante o andamento da economia. Mas para fazer isso era preciso governar sem ideologia espúria.
| a | b | c=a/b | |
| 2011 | 100,0 | 100,0 | 1,00 |
| 2012 | 86,0 | 103,0 | 0,83 |
| 2013 | 86,0 | 106,1 | 0,81 |
| 2014 | 86,0 | 109,3 | 0,79 |
| 2015 | 89,5 | 112,6 | 0,80 |
| 2016 | 93,0 | 115,9 | 0,80 |
| 2017 | 96,5 | 119,4 | 0,81 |
| 2018 | 100,0 | 123,0 | 0,81 |




nasceu com um raro gene anti-governo. De tal maneira que os pode receber sem ser afectada. Hoje, quase, quase que lá fui e ainda passei à porta. Mas tantos carros oficiais e dificuldades de estacionamento fizeram-me desistir. Se for convidado, prometo que fica para a próxima. Espero que seja no CCB, que aí é mais fácil estacionar - para quem não tem motorista, isto é. E a coisa de hoje até deve ser
Não basta juntar uns pontos usando uma caneta mais ou menos ideológica. Com
Só tenho uma pequena história, de uma visita que fez ao Liceu Pedro Nunes e que não valerá a pena contar, que me deixou boas memórias. Foi uma parte da minha geração que morreu. E que tinha seguramente mais inteligência e mais determinação que muitos de nós. Um abraço para ele e para os seus próximos.