Draghi não vai conseguir sozinho - mas também está lentamente a ganhar companhia. Desde que entrou em funções, no início de 2012, já despejou na economia da zona euro 1 trilião de euros, o que deve ser muito, pelas minhas contas. Apesar disso, o dinheiro não chega ao investimento e vai em grande parte para a dívida dos estados, sobretudo em Itália, Espanha e Portugal. Segundo contas do FT, nos três meses até Fevereiro de 2012, os bancos da periferia da zona euro já compraram 115 biliões de euros de títulos do tesouro, quase o dobro de todas as compras de 2011. O plano era esse, em parte, mas também devia incluir o financiamento ao resto da economia, o que não tem acontecido. Ao comprarem tanta dívida soberana, mal cotada, os bancos ficam em pior situação e, por isso, os principais bancos portugueses, que entraram nesse jogo, tiveram uma baixa de notação. E os juros da dívida portuguesa voltaram a subir. Mas, pronto, como só se conhece a austeridade, continuemos alegremente pelos caminhos gregos, sem pestanejar. Alternativa? Mais uma vez, a questão não é entre sim ou não à austeridade, mas sim sobre o grau da mesma e a existência ou não de algumas medidas de estímulo económico, com o dinheiro que, obviamente, há. Percebe-se?




