Esta coisa de fazer qualquer coisa só porque se acha que se tem de fazer qualquer coisa e não se sabe o que fazer não é nova por cá. Já houve um governo que acabou com o Carnaval e mudou a hora para a hora europeia, dizendo que assim e ali se fazia mais produtividade e competitividade. Do ministro ou ministros que o fizeram já ninguém se lembra, porque os ministros só excepcionalmente ficam na história, e nem sempre pelas más razões. Estas medidas pretendem inventar a pólvora e escapar a soluções comprovadas e depois sai tudo torto. Porque não se juntou os feriados aos fins-de-semana? Ninguém percebeu. Mas há mais. As famosas pontes para descontar pelos patrões só entram em vigor em 2013, quando, segundo o governo, Portugal já está nos mercados e o estado de sítio acabado. É que era o estado de sítio que justificava que o dono da sapataria mandasse fazer ponte porque a mulher quer ir visitar a sogra, e o pessoal tivesse de fazer um dia de férias forçado. Mas a derradeira questão é: vai o PS, ou um PSD mais atinado, quando no governo, mudar isto? É que as absurdidades do passado acabaram por ser mudadas. A propósito, este ano a verdadeira recessão não será de 3,1%. É desde logo mais, pois esse valor não inclui o facto de ser ano bissexto e, como toda a gente sabe, segundo as contas ministeriais, mais um dia útil de trabalho dá mais 0,408% de PIB (246/245). Estou a precisar de um pastel de nata.



