Já se via, tudo como dantes, pelo menos nisto: as sondagens contam e as sondagens mostraram que assim não iam lá. O ministro das Finanças ainda se safou e foi para a ribalta. A troika já não conta e pronto, se não se importam, a gente anuncia os resultados da terceira (e, presumivelmente, próximas) avaliação. O que até é bom que só dizemos o que queremos. Mas o ministro até fez um trabalho honesto, diga-se de passagem, até porque aquela coisa de não se mexer nos markups (está já no léxico político) dos sectores protegidos, ele, até, se calhar, não gosta muito. Não esteve mal, não fosse o programa ser excessivo (e ainda tivemos direito a um deslize de alguém com tanto cuidado nas palavras: "esta austeridade é para que não haja austeridade mais selvagem”).
Mas o pior não foi isso. Foi ver o PM a emendar a mão do "para além da troika" de uma forma que toma o cidadão alvo como papalvo. "Pois, disse ele ontem, nós só dissemos que íamos para além da troika porque a herança é pior do que esperávamos". Isto num cenário PSD preparado de propósito para a frase. Mas ele acha mesmo que o "povo" é estúpido, que não percebe a volta? Que o discurso não era mesmo o do orgulho em serem mais troikistas do que a troika? O lado positivo é que o discurso está a mudar. Não significa que vão já mudar a política, embora a aproximação das eleições permita que se anteveja isso. Tarde e a más horas, será sempre, sobretudo para os pobres sem dinheiro e saúde e os desempregados sem emprego.
Os problemas económicos, esses, seguem, por enquanto, como estavam, pois não há governo, para além da equipa do ministro das Finanças que faz o que faz. Mas já se começa a ouvir falar mais em "apoios", "subsídios", "programas", "fundos europeus", "política industrial", etc; e a fazer viagens ao “estrangeiro”. Algum dia, tudo mesmo como dantes. Pena é que, pelo meio, ainda precisem de fazer tanta asneira.
E qual seria alternativa? Simples, assumir desde o início o tudo como dantes, sem revoluções, tacteando, com moderação, menos cortes, melhor repartição dos mesmos, mais conversa lá fora, e por aí fora.



