O FMI tem sempre um bocadinho de razão, sobretudo nesta sua nova fase de vida. E, ao que consta, Poul Thomson, na "troika", é um verdadeiro amigo de Portugal. O que não admira sendo ele colega de Olivier Blanchard, esse indefectível da lusa pátria, e que há muito anda a dizer que isto só vai lá com desvalorizações. A salarial era impossível restando, portanto, a fiscal. O alerta de que há por aqui alguma razão, é que Thomson defende uma desvalorização significativa e sem olhar a sectores. Aquele estudo do governo quer pouco, e olha a sectores e isso, como se sabe, é uma forma encapotada de socialismo, pois põe nas mãos do Estado dizer por onde a economia deve ir. O FMI não quer isso e bem.
Um passo atrás: há uns anos atrás, numa conferência organizada pelo Banco de Portugal, alguém do MIT lembrava que Portugal tributava os rendimentos pessoais abaixo da média e alguém do PSD, um "barão", levantou-se, na audiência, chocado com essa afirmação pois por cá a "classe média" já é muito "sacrificada".
Olhemos para o quadro da origem das receitas públicas em Portugal e o que vemos? Isso mesmo, isto é, o que o tipo do MIT já viu. Em Portugal, em 2009, os impostos directos sobre as pessoas era 5,7% do PIB, enquanto que na zona euro, em média, era 7,7%. Os impostos directos sobre as empresas têm taxas semelhantes (2,7-2,8%), assim como o IVA (7,1-7,2%) (Ver quadro em post anterior). É nos impostos directos sobre as pessoas que estão as "temos propostas" do FMI, e é aí que o PSD ou o CDS querem arrepiar caminho? É que se for por essa via, e se o aumento da carga fiscal for nos rendimentos mais altos, a descida da TSU já ganha sentido - se o FMI o diz. Mas deixem o IVA em paz.
Enfim, perdoe-se-me o esforço, mas é que gosto sempre de tentar perceber e não ando a perceber lá muito bem o que este governo anda a querer fazer - o que espero que revele mais falta de coerência do emissor do que falta de cabeça do receptor... Mas o FMI também pode andar às aranhas, que este país não é para qualquer um...



