Eu tentei ver e não consegui. Depois, vi que Pulido Valente, no "Público", achava que o problema era de falta de comunicação, isto é, que o Governo sabe por onde vai mas que não sabe dizê-lo. A seguir, saiu a notícia de que Miguel Relvas ia tratar de tudo. Isto não está tudo ligado, mas foi o que vi. Resultado? Mau. E já houve uma primeira vítima, Álvaro Santos Pereira, o ministro de que temos de esperar muito. Na verdade o que aconteceu é que perdeu a sua aura espontânea e iniciativa própria, deixou de aparecer a falar quando lhe apetecia e como, de mangas de camisa, para aparecer espartilhado, a responder respostas demasiademente preparadas, com secretário de Estado (ou assessor) ao fundo a acenar que sim, tudo provavelmente debaixo do olho inteligente da sua assessora de imprensa. Assim não dá. Por este caminho, regressamos rapidamente ao socratismo. O Governo não pode ser refém das câmaras de televisão.
E isto tem consequências. Ou terá. Uma primeira será tudo aquilo que vai ser feito sem ser necessário para esconder o facto que o TGV não vai ser abandonado nesta legislatura - vão apenas arranjar um nome para o essencial adiamento da obra. E espera-se que seja grátis, esse nome.
Uma segunda é esta coisa do Passe Social Mais ou lá o que é. Sobem os preços dos transportes mas querem parecer bonzinhos. Como fazê-lo? É fácil. Subimos 15% em vez de 13% e damos de volta os 2% (as contas são inventadas mas não se deve andar lá longe) com um "programa" que podemos anunciar na TV. Não é bom. Primeiro, porque se criam cidadãos de segunda (também vão ter uma porta diferente, esses cidadãos, ou basta-lhes mostrar que ganham pouco?); segundo, porque em vez de lembrarem às pessoas que devem reagir a preços, lembram-lhes que o que é preciso é ter jeito (e tempo) para encontrar os esquemas que permitem poupanças.
Menos TV e mais governo é do que precisamos. Há ministros que já agem assim e ASP estava a fazê-lo. Deve voltar a ser quem é. Os ganhos de médio e longo prazo são grandes. E os custos são pequenos, porque, no fundo, somos todos, cidadãos de primeira, de segunda e de terceira, inteligentes.



