Ainda não consegui engolir o novo imposto. Já tentei, que eu parto do princípio de que as coisas são bem feitas e depois é que vejo se não o são - e não contrário. O conjunto da apesentação da medida, os seus fundamentos, a sua oportunidade, nada disso cola muito bem e há muitos pequenos alçapões. Aqui deixo algumas dúvidas, ao acaso:
1) A ideia de que os juros não pagam para não afectar a poupança é falsa. Pois, como lembrou M Beleza e foi preciso que eu até estava a acreditar e era mesmo simples, se tributa os salários também tributa a poupança que eles lá têm.´
2) Os anúncios de que 50% não pagam isto ou 60% pagam aquilo servem só para esconder que aquilo é mesmo uma taxa constante a partir de um certo rendimento, ou seja, é um imposto injusto.
3) Ainda pensei que era uma reacção a medo da descida do "rating" da República, mas nada, é feito mesmo com convicção.
4) As projecções de crescimento implícitas são mesmo boas para o próximo calendário eleitoral, com as coisas a melhorarem depois de 2013.
5) Nada, mesmo nada, nos diz que o défice não ia ser alcançado.
6) Ou, ainda pior, que não teríamos algum desconto se houvesse algum desvio.
7) O discurso de contexto cheio de problemas de interpretação (ver post anterior onde se apontam alguns, havendo mais, muitos mais, como a ideia de que Portugal era fechado ao capital estrangeiro e agora já não, ou que as privatizações de, o quê?, 1%? do PIB vão mudar o país...).
8) Finalmente, porque há o antecedente de Durão Barroso que fez algo de parecido, isto é, apertou a economia, com o que teve resultados pouco brilhantes, como podemos facilmente recordar.
Num momento destes, não se deveria errar por excesso contrando demais economia, e este imposto é muito arriscado nesse sentido. Enfim, está a ser cada vez mais difícil para mim dar o benefício da dúvida à "medida".
Agora, uma coisa é certa: nem são as medidas positivas das Finanças que vão mudar o país para melhor, nem serão as negativas que o vão mudar para pior, pelo menos de forma significativa. O que muda mesmo é o que se passa lá fora. Coisa que aliás deveria ter sido lembrada quando a actual crise foi comparada com os anos de ouro de 1950-1973...