Há qualquer coisa a aprender com o desfecho dos acontecimentos que levaram ao golpe e ao contra-golpe do dia 25 de Novembro de 1975, mas ainda ninguém conseguiu dizer bem o quê. Não é fácil perceber por que não começou então uma guerra entre facções militares, quem evitou que se disparassem os primeiros tiros ou se movimentassem as primeiras tropas. Mas a solução para este puzzle tem de estar do lado do PCP e dos militares.
Do lado do PCP, já vi escrito em muito lado que foi Álvaro Cunhal que não deixou que as coisas fossem mais longe, por perceber que não havia ganhos políticos. Do lado dos militares, ao ler isto, fiquei com a sensação que fomos salvos pelo "Eh pá" e pela proximidade entre muitos dos comandos militares que, apesar de estarem em campos políticos opostos, não quiseram o confronto armado. No fundo, são até as mesmas razões. Se tudo isto é verdade, então o que se tem de deduzir verdadeiramente é que o país beneficiou de algo que existe em muitos países pequenos, a saber, da proximidade entre as pessoas que não permitiu o confronto mais extremado. Todos os que mandavam, mais ou menos se conheciam e não queriam andar à chapada. Isso salvou-nos de uma guerra civil o que foi muito bom para a altura, claro. Mas essa intimidade pode ser má em outras ocasiões...



