Já ninguém provavelmente se recorda - o que pode ser bom para mim, pois é minha profissão fazer recordar -, mas a discussão havida há uns tempos sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa trouxe para os cabeçalhos dos jornais o quanto ele custaria em milhares de milhões. Foi grande a profusão de títulos de primeira página com nove zeros. Lembram-se? (por acaso, depois, a nova localização apenas poupou alguns milhões, coisa que não apareceu nos cabeçalhos). Agora, quem está contra as outras obras também fala de milhares de milhões. Pois isso é enganador, dado que não tem em conta a dimensão dos investimentos relativamente ao que se produz cada ano no país. Para se perceber a verdadeira dimensão, veja-se o que já aconteceu este ano: entre Fevereiro e Abril, poupámos na balança comercial 2/7 do valor total dos TGVs projectados (bem, esta comparação precisaria de mais cuidado, mas aqui fica a ideia).
PS1 (2 horas depois do post): perdoe-se o loop, mas a verdade é que Pinto e Castro tinha falado disto (ver o ponto 2). E eu até tinha lido o artigo, tendo apreciado muito essa parte, mas já não me lembrava.
PS2 (4 horas depois): cuidado que aquilo não é "poupança". É que quando vier o crescimento o défice externo aumenta outra vez. Reagindo a um comentário: seria bom ter uma varinha mágica que fizesse com que a estrutura das importações se alterasse um pouo nos próximos anos. Mas não temos, pois não há tarifas aduaneiras (ainda bem). Ou temos, aliás, com os trabalhos do Dr. Mexia, mas isso vai levar tempo (era bom que fosse rápido, por causa das minhas acções da EDPR...)

Em 4 meses poupamos o valor correspondente a 30% do TGV. Ou seja, a este ritmo chegamos ao fim do ano com uma poupança igual ao custo do TGV!!!
Começa a ficar claro que esta questão dos grandes projectos é essencialmente politico-partidária. E, diga-se, é o PSD que está a ganhar este jogo. Na verdade, os defensores dos grandes projectos estão a defendê-los muito mal. É fundamental trazer números para cima da mesa.
Posted by: Aquasky | 9 de julho de 2009 at 14:24
Devo ser um pouco lento mas, não são os materiais de construção e circulantes para o TGV "coisas" que serão importadas elas próprias, desmontando assim essa lógica?
Posted by: StingBite | 9 de julho de 2009 at 15:46
O facto de termos reduzido o défice comercial em cerca de 2 mil milhões de euros, não deve fazer esquecer o facto de que o mesmo ainda atingir quase 4 mil milhões de euros. Estranho que o artigo não faça qualquer referência à evolução do preço do petróleo que (em euros) deverá ter caído mais de 40%. Esta descida deve ter sido responsável por parte significativa da "poupança" (embora, infelizmente, seja uma má notícia para as acções da EDPR).
Posted by: JP Santos | 10 de julho de 2009 at 09:44
PS: Dei-me ao trabalho de consultar as estatítsticas publicadas e estas indicam que o saldo das entradas e saídas da rubrica "Combustíveis e Lubrificantes" passou de -2.042 milhões de euros para -1.062 milhões de euros o que corresponde a uma diferença de 980 milhões de euros, ou seja cerca de metade da "poupança".
Posted by: JP Santos | 10 de julho de 2009 at 09:59
Caro JP Santos,
Aquilo é só uma comparação de magnitudes e é evidente que não é poupança. Foi isso que escrevi no PS2 acima. Mas veja como a economia portuguesa aguenta bem as flutuações de mil milhões de euros na factura do petróleo. Daqui podia-se continuar o raciocínio...
Posted by: PL | 10 de julho de 2009 at 11:00