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20 de junho de 2009

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Sócrates

Não posso deixar de concordar, até porque defendo um federalismo europeu.

rui fonseca

"Portugal tem dinheiro para pagar isso. Todo o Portugal, visto como uma economia, isto é. São projectos nacionais e a nação, como um todo, já tem dinheiro para ter um novo aeroporto e um TGV do Porto, a Lisboa, a Madrid. Não percebo como é que se pode pensar de outro modo."

Caro Professor,

Voltei atrás porque estas suas palavras resumem, creio eu, as suas conclusões e posições quanto às questões abordadas neste seu comentário de agora, e a sua total discordância com os signatários do documento dos 28.

O que é espantoso, neste caso, pelo menos para mim, não é que haja discordância, que é sempre a agulha oportuna para enviar o comboio para a linha conveniente, mas que essa discordância seja total. Não se trata de concluir entre estar a garrafa meio cheia e a garrafa meio vazia mas entre estar ela inteiramente cheia ou totalmente vazia.

Diz o Professor que "Portugal tem dinheiro...", dizem, pelo menos 28 professores que Portugal está teso, passe o plebeísmo.

É possível que pessoas com formação académica a nível muito superior façam leituras tão radicalmente diferentes acerca de um assunto, que sendo muito complexo, pode ser quantificado?

Ter ou não ter dinheiro, parece-me, (porque eu o que tenho são dúvidas) é uma questão mensurável.
Ou não é?

A adesão ao euro alterou muita coisa nos nossos
hábitos mas não alterou outras, e daí, segundo parece, o imbróglio em que nos metemos.

Há quem tenha sido, ou continue a ser, da opinião que a dívida externa é irrelevante quando se faz parte de uma zona monetária comum.
Esta é, segundo depreendo, também a sua opinião, de onde decorre a "extinção" do país e a emergência de uma região.

Não compreendo.

E não compreendo porque a passagem de país a região não altera em nada, parece-me, a importância do endividamento sobre as políticas de crescimento económico de um país ou de uma região.

Se as pessoas, as empresas ou o Estado, se encontram endividados de modo que os rendimentos recebidos são insuficientes para conter ou reduzir a dívida, o endividamento prosseguirá até onde o consentirem os credores.

No dia em que os credores susterem o crescimento do endividamento as famílias, as empresas, o Estado entram em situação de falência (deixam de pagar aos credores) obrigando as pessoas a emigrarem ou a recomeçarem a partir de patamares de desenvolvimento inferiores.

Há a hipótese de o devedor colocar o credor em posição de este ter de continuar a sustentar o fluxo, por razões políticas, à maneira do AJJardim, ou outras, que, no entanto, só poderão ser transitórias. As árvores não crescem até ao céu e o endividamento também não.

Ou não?

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