Só li em diagonal e fui logo ler o que Silva Lopes diz, pois é de quem mais gosto e, claro, há lá razões fortes. Como em outras partes. Não há dúvida de que é um exercício extremamente bem feito. Sem dúvida que vou ler com mais atenção. Ainda antes de abrir, estava a pensar escrever algo intitulado "Desisto". Mas a leitura em diagonal mostrou-me já algo que continua a não estar certo, afinal. Muito do que lá vem é correcto. Há lá raciocínios económicos intocáveis, impecáveis, o que não espanta vindo de alguns dos economistas mais importantes. Mas há um pressuposto de base que não tolhe, que para mim é antigo, ultrapassado. Todos falam de Portugal, Portugal isto, Portugal aquilo. O pressuposto errado é esse: Portugal já não existe (ou quase). E espero que não volte, pois só volta com proteccionismo. E há por lá laivos de proteccionismo, na verdade. Contudo, o que existe já não é Portugal, mas uma região da Europa, uma região pobre da Europa. As regiões pobres de zonas ricas devem ser mal-comportadas, financeiramente, isto é. Há pelo menos três exemplos recentes de sucesso, sempre relativo, de regiões pobres mal comportadas: Irlanda, Andaluzia, Alemanha de Leste. Estão outras na calha, na Europa de Leste. Portugal (ou isto que por aqui ainda existe) deve embarcar nesse barco. Não quer dizer que não se pense mais uns metros. Mas apenas uns metros. E não se deite fora o bebé com a água do banho, pois há trigo e joio nos investimentos projectados. É preciso não ter medo de ser bom aluno por vias não tradicionais.

Não posso deixar de concordar, até porque defendo um federalismo europeu.
Posted by: Sócrates | 20 de junho de 2009 at 11:09
"Portugal tem dinheiro para pagar isso. Todo o Portugal, visto como uma economia, isto é. São projectos nacionais e a nação, como um todo, já tem dinheiro para ter um novo aeroporto e um TGV do Porto, a Lisboa, a Madrid. Não percebo como é que se pode pensar de outro modo."
Caro Professor,
Voltei atrás porque estas suas palavras resumem, creio eu, as suas conclusões e posições quanto às questões abordadas neste seu comentário de agora, e a sua total discordância com os signatários do documento dos 28.
O que é espantoso, neste caso, pelo menos para mim, não é que haja discordância, que é sempre a agulha oportuna para enviar o comboio para a linha conveniente, mas que essa discordância seja total. Não se trata de concluir entre estar a garrafa meio cheia e a garrafa meio vazia mas entre estar ela inteiramente cheia ou totalmente vazia.
Diz o Professor que "Portugal tem dinheiro...", dizem, pelo menos 28 professores que Portugal está teso, passe o plebeísmo.
É possível que pessoas com formação académica a nível muito superior façam leituras tão radicalmente diferentes acerca de um assunto, que sendo muito complexo, pode ser quantificado?
Ter ou não ter dinheiro, parece-me, (porque eu o que tenho são dúvidas) é uma questão mensurável.
Ou não é?
A adesão ao euro alterou muita coisa nos nossos
hábitos mas não alterou outras, e daí, segundo parece, o imbróglio em que nos metemos.
Há quem tenha sido, ou continue a ser, da opinião que a dívida externa é irrelevante quando se faz parte de uma zona monetária comum.
Esta é, segundo depreendo, também a sua opinião, de onde decorre a "extinção" do país e a emergência de uma região.
Não compreendo.
E não compreendo porque a passagem de país a região não altera em nada, parece-me, a importância do endividamento sobre as políticas de crescimento económico de um país ou de uma região.
Se as pessoas, as empresas ou o Estado, se encontram endividados de modo que os rendimentos recebidos são insuficientes para conter ou reduzir a dívida, o endividamento prosseguirá até onde o consentirem os credores.
No dia em que os credores susterem o crescimento do endividamento as famílias, as empresas, o Estado entram em situação de falência (deixam de pagar aos credores) obrigando as pessoas a emigrarem ou a recomeçarem a partir de patamares de desenvolvimento inferiores.
Há a hipótese de o devedor colocar o credor em posição de este ter de continuar a sustentar o fluxo, por razões políticas, à maneira do AJJardim, ou outras, que, no entanto, só poderão ser transitórias. As árvores não crescem até ao céu e o endividamento também não.
Ou não?
Posted by: rui fonseca | 21 de junho de 2009 at 10:31