Recebi no meu cacifo o último número da revista Libros de Economia y Empresas, uma excelente revista de crítica literária altamente financiada por um inteligente banco. Uma espécie de New York Review of Books (passe o exagero, mas até o formato é idêntico), em espanhol e só sobre livros económicos. E lá vinha a recensão a este livro, sobre a competitividade das regiões espanholas. Já o encomendei. É que quem está interessado na competitividade de Portugal tem de estar interessado na competitividade das regiões espanholas. Quanto a isso nada há a fazer. Se Portugal quer ser mais europeu tem de ser mais espanhol. E a pergunta, porque é que Portugal não tem convergido?, está intimamente ligada à pergunta, porque é que as regiões espanholas têm convergido? Até 2007, claro, que os tempos que correm desde então não são bons para convergências. A minha hipótese é que as ajudas de Madrid, associadas à redistribuição do rendimento, e as ajudas de Bruxelas, tiveram um papel crucial nessa diferença ibérica. Ajudas, claro, associadas ainda à capacidade de absorção das regiões receptoras. Vou ver no livro se isso foi de algum modo assim. Caso sim, como não temos Madrid, devíamos fingir que temos. Não sei é bem como, mas talvez aproveitando o espírito filipino que por lá ainda existe. Espírito que os vai levar, por exemplo, a pagar 2/3 do TGV Lisboa-Madrid.
Atenção: tudo isto se refere à convergência dentro de Espanha. A de fora, com a Europa, foi tributária de muita outra coisa, incluindo a forte imigração. Saber como é que as duas se conjungaram, já é areia de mais para este post.

Comments