Os EUA ainda são famosos pelo famoso problema "inner city", que é mais ou menos isto: a procura de escritórios nos centros das cidades faz subir todas rendas, de tal forma que ficam inacessíveis aos que
procuram apenas morar lá. Mas há uma cidade, pelo menos, que escapa a isso: Nova Iorque. E como é que isso é feito? Simples, através de complicados sistemas que fazem com que no centro haja zonas de rendas protegidas, zonas de rendas subsidiadas, para artistas, por exemplo, e gigantescos quarteirões de boa "habitação social". Claro que aquilo por lá não é um mar de rosas, mas a verdade é que há estudantes a viver em plena Manhattan, a dois passos de Wall St. A teia de leis é quase tão complexa como numa cidade medieval. E funciona. Não sei como será nas cidades europeias avançadas, mas presumo que na Suíça ou na Dinamarca haja coisas parecidas. Por cá, vamos ter mais uma experiência deste liberarlismo-Nestum (será Cerelac?) que nos governa. Uma lei das rendas estúpida (my apologies...), como é ainda mais estúpido o que se está a fazer com os transportes públicos. Enfim, dizem que os países nunca aprendem com o que se faz alhures e que todos precisam de passar por todas as fases de crescimento. Mas, com tanta gente tão culta e viajada em tanto lado, podia-se esperar um pouco mais. Ou será mesmo assim tão difícil? Ajudava, talvez, não querer mudar o mundo amanhã e pensar em deixar algum trabalho para o dia seguinte.
PS: Da troca de impressões abaixo, nos comentários, e do estudo aí citado, pode-se retirar a seguinte conclusão: a protecção das rendas em NI tem um "custo" directo de 20%; todas as intervenções no mercado, incluindo a protecção do trabalho menor ou o salário mínimo, têm um custo, e aqui será esse; esse custo deve ser comparado com o benfício de não haver um centro abandonado em NI, como acontece em outras cidades dos EUA; para além disso, se aquela conclusão de custo está certa, há espaço para melhoria da polítca em causa de uma forma a que não leve a uma substancial redução dos benefícios. Ronal Reagan nunca pensaria assim, claro, mas, felizmente, NI sabe eleger os seus presidentes e, lá, até um tycoon republicano como Bloomberg pensa.