É um pouco imoral o que se anda a dizer sobre a subida do salário mínimo. Imoral por uma razão. Trata-se de uma medida de justiça, todos com isso concordam, mas, depois, há umas pessoas que vêm perguntar, será que a economia aguenta? A ideia de que o salário mínimo tem efeitos negativos na competitividade das empresas, nos países da liga dos mais desenvolvidos como é Portugal, é uma ideia tão boa como dizer que a limitação do trabalho a 8 horas por dia impede que os países cresçam.
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Há uma outra ideia interessante no livro de Paulo Rangel que segue um pouco, embora numa outra vertente, aquilo que Manuel Lucena há muito disse. A corporação dos juízes é tão tradicional, tão atávica que, inclusivamente, passou largamente incólume pelo período do Estado Novo. O Estado reinava nas coisas dele e, se quis prender e torturar, teve de arranjar um sistema paralelo (os tribunais plenários). Os juízes, esses, continuaram a fazer o trabalho deles.
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O que significa o 1º de Dezembro e a Restauração? Será que a nova História de Portugal (ver post abaixo) contribui para responder a essa questão? No meu caso, contribui, não tanto pelo que se aprende de novo, mas pela ligação dos factos que é feita. Não tenho o livro comigo mas é um exercício interessante tentar responder apelando à memória do que li. Os factos que importam são que, em primeiro lugar, a união dinástica de 1580 seria quase inevitável e não era obrigatoriamente vista como algo de negativo. A prová-lo está o facto de, desde a independência de Portugal como reino, terem sido vários os casamentos entre príncipes das coroas ibéricas e não foi mais do que um casamento desses que levou à união, por morte do monarca português.
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É com muita pena mas tem de ser anunciado: não há uma História de Portugal. Se existe, este livro não consegue mostrá-la. Que não haja confusão, esta obra é de uma qualidade sem igual. Ainda não a li toda, mas já dá para ver isso. O facto de este livro não mostrar, quanto a mim, uma história de mil anos podia resultar da circunstância de ser escrito por três autores que não tivessem conseguido fazer as ligações. Todavia, já passei pelos três autores (estou agora a ler sobre os anos 1830-50) e acontece que eles conseguiram fazer ligações muito boas. Aliás, um dos melhores capítulos da segunda parte, que cobre a período moderno, é precisamente o primeiro, que liga eximiamente com a parte anterior. Também a segunda passagem de autores está perfeita, quer no fim da parte II, quer no início da parte III. Isso sem dúvida foi muito bem conseguido. O livro tem alguns
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